OPERAÇÃO CAVALO DE TROIA

Renato Purini é transferido para penitenciária de Potim após prisão em operação do Gaeco

Ex-secretário de Governo de Bauru e marido da prefeita Suéllen Rosim teve habeas corpus negado pelo TJ-SP. Ele é investigado por suspeitas de envolvimento em esquema de fraude na concessão dos serviços de resíduos sólidos, estimada em R$ 5,2 bilhões.

Redação ConectaBauru·22 de outubro de 2026, 08:29
Renato Purini é transferido para penitenciária de Potim após prisão em operação do Gaeco
Foto: ConectaBauru / Bauru

Renato Purini, ex-secretário de Governo de Bauru e marido da prefeita Suéllen Rosim (PSD), foi transferido na tarde desta quarta-feira (21) para a Penitenciária II de Potim, no Vale do Paraíba. Ele está preso desde 16 de outubro, quando foi alvo da segunda fase da Operação Cavalo de Troia, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público.

A operação investiga suspeitas de fraude no processo de concessão dos serviços de gestão de resíduos sólidos de Bauru, cujo contrato está estimado em R$ 5,2 bilhões, com duração prevista de 30 anos. Durante a ação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na Prefeitura Municipal e na residência da prefeita. Suéllen Rosim não é alvo desta fase da investigação.

Habeas corpus negado

A defesa de Purini entrou com um pedido de liberdade, mas o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) negou o habeas corpus no dia 17 de outubro, mantendo a prisão preventiva. A defesa argumentou que não havia fundamentação suficiente para a medida e que outras medidas cautelares poderiam ser aplicadas.

Na decisão, o desembargador responsável pelo caso apontou a existência de indícios reunidos durante a investigação, incluindo mensagens, registros telefônicos e escutas autorizadas judicialmente, que, segundo a apuração, indicariam possível interferência em licitações e articulação política para favorecer a aprovação do projeto de concessão.

Purini é investigado por suspeitas de participação em organização criminosa, corrupção passiva, corrupção ativa de agentes políticos, falsidade documental e fraude em licitações. As suspeitas ainda são objeto de investigação.

Suspeita de tentativa de fuga

O Ministério Público também apura se o ex-secretário tentou antecipar-se à ação policial antes de ser preso. Conforme documentos mencionados na investigação, Purini teria saído de casa durante a madrugada e circulado de carro por vias próximas às sedes do Ministério Público e da Prefeitura de Bauru.

Outro ponto investigado é a troca de aparelho celular após a primeira fase da operação, realizada no início de setembro. Segundo o Ministério Público, a sequência dos acontecimentos levantou suspeitas que precisam ser esclarecidas. O órgão ressalta que a troca do aparelho, isoladamente, não comprova destruição de provas.

Purini foi abordado por policiais na Avenida Getúlio Vargas, em Bauru. Após a abordagem, os agentes o acompanharam até a residência onde mora com a prefeita e, posteriormente, até a prefeitura, onde também foram cumpridos mandados de busca e apreensão.

Investigação sobre pagamentos e articulação política

A apuração do Gaeco busca esclarecer se Purini teria recebido valores da empresa Estre Ambiental para articular apoio político e influenciar a votação do projeto de concessão na Câmara Municipal. Segundo o Ministério Público, os supostos pagamentos teriam sido realizados por meio de um advogado, sob a justificativa de serviços jurídicos.

Documentos citados na investigação apontam uma nota fiscal de R$ 750 mil emitida pela empresa para o escritório do advogado e uma suposta cobrança adicional de R$ 90 mil. Para os investigadores, há indícios de que os valores fariam parte de repasses recorrentes destinados ao ex-secretário. A origem, a finalidade e os possíveis beneficiários dos pagamentos integram a apuração.

Mensagens analisadas pelo Ministério Público também indicariam conversas sobre estratégias para acelerar a aprovação do projeto de concessão em dezembro de 2025. Segundo a investigação, Purini teria acompanhado a movimentação dos vereadores e participado de articulações para obter apoio à proposta.

O caso também envolve outros agentes públicos e particulares, e as investigações continuam para esclarecer a participação de cada um dos citados.

Prefeita afirma ter adotado medidas administrativas

Após a prisão do marido, Suéllen Rosim determinou a exoneração de Renato Purini do cargo de secretário de Governo. Em nota divulgada por sua assessoria jurídica, a prefeita informou que adotou as medidas administrativas necessárias e que suas decisões foram pautadas pela responsabilidade, transparência e imparcialidade. Ela também afirmou confiar no esclarecimento dos fatos.

A Operação Cavalo de Troia teve origem em investigações iniciadas a partir de denúncias de ameaças contra catadores de materiais recicláveis e avançou após a análise de conversas e dados obtidos durante diligências autorizadas pela Justiça. Segundo o Ministério Público, as apurações identificaram indícios de possíveis irregularidades relacionadas à concessão dos serviços de resíduos sólidos e à atuação de agentes públicos e representantes de empresas.

O caso segue sob investigação, e os suspeitos têm direito à presunção de inocência até eventual condenação definitiva.

Fonte: g1 Bauru e Marília / TV TEM.

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