INVESTIGAÇÃO

Justiça torna réus seis investigados por suspeita de fraude em licitação do lixo de Bauru

Decisão da Justiça aceita denúncia apresentada pelo Gaeco contra seis pessoas investigadas na Operação Cavalo de Troia. Apuração aponta suspeitas de manipulação do processo de concessão do sistema de resíduos sólidos, contrato estimado em R$ 5,2 bilhões.

Redação ConectaBauru·07 de outubro de 2026, 19:43
Justiça torna réus seis investigados por suspeita de fraude em licitação do lixo de Bauru
Foto: ConectaBauru / Bauru

A Justiça aceitou nesta quarta-feira (7) a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo e tornou réus seis investigados na Operação Cavalo de Troia, que apura possíveis irregularidades no processo de licitação para a concessão do sistema de gestão de resíduos sólidos urbanos de Bauru.

Entre os denunciados estão três ex-integrantes do governo municipal, o proprietário e CEO da empresa Estre Ambiental, uma funcionária da companhia e um consultor ligado à Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). De acordo com a investigação, os envolvidos são suspeitos de participação em um esquema que teria buscado interferir no processo licitatório.

A denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) reúne acusações relacionadas a organização criminosa, tentativa de comprometer a concorrência em licitação, contratação direta considerada irregular, corrupção ativa e passiva e falsidade documental.

O caso começou a ser investigado após denúncias envolvendo ameaças contra trabalhadores ligados à coleta de materiais recicláveis. Durante o trabalho de investigação, interceptações telefônicas teriam revelado conversas que levaram os investigadores a identificar possíveis conexões entre representantes da associação de catadores, agentes públicos e executivos de empresas.

Segundo o Ministério Público, o processo de concessão do sistema de resíduos de Bauru teria sido alvo de articulações para favorecer uma empresa. O contrato previsto tem duração de 30 anos e valor estimado em R$ 5,2 bilhões, sendo apontado como o maior contrato da história do município.

A investigação também aponta que integrantes do grupo teriam buscado influência dentro da administração municipal e até aproximação com representantes do Legislativo e de órgãos de controle para favorecer os interesses relacionados à concessão.

Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão e sete pessoas chegaram a ser presas temporariamente. Entre elas estavam os ex-secretários municipais Cilene Chabuh Bordezan, Vitor João de Freitas Costa e Sara Moura de Jesus, além de Hamilton Libório Agle, Talita de Andrade Soares Chieregatti, Gisele Moretti e Valdomiro Pereira da Silva Filho.

Outro ponto citado nas investigações foi a apreensão de aproximadamente R$ 240 mil em dinheiro na residência de um dos ex-secretários municipais.

Além da Operação Cavalo de Troia, o Gaeco conduz uma investigação paralela, denominada Operação Mobius, que apura possíveis irregularidades em contratos relacionados à coleta seletiva e à administração de ecopontos em Bauru. A apuração também envolve suspeitas de desvios de recursos públicos e pagamentos indevidos.

Com o recebimento da denúncia pela Justiça, os seis investigados passam à condição de réus e responderão judicialmente às acusações apresentadas pelo Ministério Público. O processo seguirá para as próximas etapas, nas quais a Justiça deverá analisar as provas e as versões apresentadas pelas defesas.

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