PERMANECE PRESO

Justiça nega habeas corpus e mantém prisão preventiva de Renato Purini, ex-secretário de Bauru

O Tribunal de Justiça de São Paulo rejeitou o pedido de liberdade apresentado pela defesa de Renato Purini, preso em nova fase da Operação Cavalo de Troia, que apura suspeitas de irregularidades na concessão dos serviços de gestão de resíduos sólidos em Bauru.

Redação ConectaBauru·17 de outubro de 2026, 18:58
Justiça nega habeas corpus e mantém prisão preventiva de Renato Purini, ex-secretário de Bauru
Foto: ConectaBauru / Bauru

O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) negou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Renato Purini, ex-secretário municipal de Governo de Bauru e marido da prefeita Suéllen Rosim (PSD). Com a decisão, assinada neste sábado (17) pelo desembargador Luiz Fernando Vaggione, permanece válida a prisão preventiva do investigado.

Purini foi preso na sexta-feira (16), no condomínio onde reside com a prefeita, durante uma nova etapa da Operação Cavalo de Troia, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público. Após a prisão, ele também acompanhou os agentes durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão na Prefeitura de Bauru.

A defesa argumentou que não estariam presentes fundamentos suficientes para manter a prisão preventiva e sustentou que outras medidas cautelares poderiam ser aplicadas. O pedido, entretanto, foi rejeitado pelo relator, que considerou a gravidade dos fatos investigados e os elementos reunidos durante a apuração.

Conforme a decisão judicial, registros telefônicos, mensagens e interceptações autorizadas pela Justiça indicariam possível utilização do cargo público para interferir na tramitação de propostas relacionadas à concessão dos serviços de resíduos sólidos. As apurações também apontam suspeitas de recebimento de vantagens financeiras indevidas.

INVESTIGAÇÃO APURA POSSÍVEIS REPASSES FINANCEIROS

Segundo o Ministério Público, mensagens obtidas durante as investigações levantaram suspeitas de que Purini teria recebido valores ligados à empresa Estre Ambiental por meio de um intermediário. A hipótese investigada é de que pagamentos apresentados como honorários advocatícios teriam outra finalidade, relacionada à articulação política em torno do projeto de concessão.

Entre os valores mencionados na investigação estão uma nota fiscal de R$ 750 mil emitida em favor de um escritório de advocacia e uma suposta cobrança adicional de R$ 90 mil. Para os investigadores, os registros podem indicar repasses recorrentes ao ex-secretário. A natureza e a destinação desses valores são objeto da apuração.

SUSPEITA DE PRESSÃO SOBRE VEREADORES

As mensagens analisadas pelo Gaeco também apontariam uma possível atuação de Purini nos bastidores da votação do projeto na Câmara Municipal, em dezembro de 2025. De acordo com os investigadores, conversas indicariam que ele acompanhava a movimentação dos parlamentares e teria buscado apoio para acelerar a aprovação da proposta.

Os diálogos também fazem referências a vereadores e à condução das discussões legislativas. A vereadora Estela Almagro (PT), mencionada nas conversas, foi procurada pela TV TEM, mas não havia se manifestado até a publicação da reportagem original.

CONTRATO BILIONÁRIO É ALVO DA OPERAÇÃO

A Operação Cavalo de Troia investiga possíveis irregularidades na estruturação e na condução da concessão dos serviços de gestão de resíduos sólidos urbanos de Bauru. O contrato tem valor estimado em aproximadamente R$ 5,2 bilhões e previsão de duração de 30 anos.

De acordo com o Ministério Público, há suspeitas de que regras do processo licitatório tenham sido direcionadas para beneficiar a Estre Ambiental, com possível participação de agentes públicos e representantes da iniciativa privada.

A nova fase da investigação foi desencadeada após a análise de materiais apreendidos anteriormente, especialmente mensagens extraídas de aparelhos celulares, que teriam revelado indícios de envolvimento de outras pessoas.

OUTROS INVESTIGADOS

As apurações tiveram início após denúncias de ameaças contra trabalhadores ligados à Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis (Ascam). A partir do monitoramento de conversas relacionadas ao caso, o Ministério Público identificou suspeitas que se estenderam à licitação da gestão do lixo.

Fases anteriores das operações relacionadas à investigação resultaram em mandados de busca e apreensão e prisões de pessoas ligadas à administração municipal e à empresa investigada. Entre os nomes citados nas apurações estão ex-integrantes do governo municipal e executivos da Estre Ambiental.

Após a prisão de Purini, a prefeita Suéllen Rosim exonerou o marido do cargo de secretário municipal. A chefe do Executivo não é alvo desta fase da operação, conforme as informações divulgadas na reportagem original.

O caso segue sob investigação, com o objetivo de esclarecer as suspeitas, identificar eventuais outros envolvidos e apurar possíveis crimes. As acusações ainda dependem da análise judicial, e os investigados têm direito à ampla defesa e à presunção de inocência.

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