OPERAÇÃO CAVALO DE TROIA

enato Purini, marido da prefeita de Bauru, é preso em nova fase de investigação sobre licitação bilionária

Secretário municipal de Governo foi detido nesta sexta-feira (16); mandados de busca foram cumpridos na Prefeitura e em endereços ligados à investigação. Após a prisão, ele foi exonerado do cargo.

Redação ConectaBauru·16 de outubro de 2026, 12:58
enato Purini, marido da prefeita de Bauru, é preso em nova fase de investigação sobre licitação bilionária
Foto: ConectaBauru / Bauru

O secretário municipal de Governo de Bauru e marido da prefeita Suéllen Rosim (PSD), Renato Purini, foi preso na manhã desta sexta-feira (16), durante uma nova etapa da Operação Cavalo de Troia. A ação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, com apoio da Polícia Militar, e investiga suspeitas de irregularidades em uma licitação bilionária para a concessão dos serviços de gestão de resíduos sólidos no município.

Além da prisão de Purini, as equipes realizaram mandados de busca e apreensão na residência da prefeita e nas dependências da Prefeitura de Bauru. Segundo as informações divulgadas, Suéllen Rosim não é alvo desta fase da operação.

Após ser detido no condomínio onde reside com a prefeita, Renato Purini foi conduzido à sede da administração municipal durante o cumprimento das diligências e, posteriormente, encaminhado à Central de Polícia Judiciária (CPJ). Ele passou por audiência de custódia ainda nesta sexta-feira, ocasião em que a prisão preventiva foi mantida. A transferência para a cadeia de Avaí, no interior paulista, estava prevista.

PREFEITURA CONFIRMA EXONERAÇÃO

Em manifestação oficial, a Prefeitura de Bauru afirmou que vem colaborando com as autoridades desde o início das investigações, disponibilizando documentos, informações e esclarecimentos solicitados pelo Ministério Público.

O município também comunicou a exoneração de Renato Purini do cargo de secretário municipal de Governo após a divulgação dos fatos e o avanço das medidas judiciais. A administração declarou que continuará colaborando com as apurações e que pretende adotar as providências necessárias para preservar o interesse público e a regularidade administrativa.

INVESTIGAÇÃO APURA CONTRATO DE R$ 5,2 BILHÕES

De acordo com o Ministério Público, a nova fase da Operação Cavalo de Troia é resultado da análise de provas reunidas durante a primeira etapa, especialmente de mensagens extraídas de aparelhos celulares apreendidos. O material teria revelado indícios de envolvimento de outros agentes públicos e particulares nas condutas investigadas.

O foco principal é um possível esquema para direcionar a licitação da concessão dos serviços de resíduos sólidos urbanos de Bauru. O contrato está estimado em aproximadamente R$ 5,2 bilhões, com prazo previsto de 30 anos, e é considerado um dos maiores projetos de concessão da história do município.

A investigação também apura possíveis articulações envolvendo integrantes do poder público e eventuais vantagens indevidas relacionadas ao processo licitatório.

COMO O CASO COMEÇOU

As apurações do Gaeco tiveram início em março, após denúncias de ameaças contra trabalhadores ligados à Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis (Ascam), entidade que mantinha contratos com a Prefeitura de Bauru para a prestação de serviços.

No decorrer das investigações, o Ministério Público passou a analisar conversas e comunicações que, segundo os investigadores, apontaram suspeitas de pedidos de propina e de tentativas de interferência no processo de concessão dos serviços de limpeza e gestão do lixo urbano.

O monitoramento de comunicações de pessoas ligadas à associação teria permitido identificar possíveis conexões entre empresários, representantes de empresas e integrantes da administração municipal.

OUTROS INVESTIGADOS E PRISÕES ANTERIORES

As fases anteriores da investigação resultaram em mandados de busca e apreensão e prisões temporárias. Entre os nomes citados nas apurações estão ex-integrantes do governo municipal e representantes da iniciativa privada.

A lista inclui Cilene Chabuh Bordezan, ex-secretária municipal de Meio Ambiente; Vitor João de Freitas Costa, ex-secretário de Negócios Jurídicos; Sara Moura de Jesus, ex-secretária-adjunta de Meio Ambiente; Hamilton Libório Agle, executivo da Estre Ambiental; e Talita de Andrade Soares Chieregatti, funcionária da empresa.

Também foram investigados Gisele Moretti, ex-presidente da Ascam, e Valdomiro Pereira da Silva Filho, empresário e marido dela. Conforme as informações divulgadas sobre as etapas anteriores, parte dos investigados obteve liberdade, enquanto outros permaneceram submetidos a medidas judiciais.

O Ministério Público sustenta que o suposto esquema teria buscado favorecer a empresa Estre Ambiental na elaboração e condução do edital de concessão. As suspeitas incluem a possível utilização de informações e documentos produzidos no âmbito da administração pública para beneficiar interesses privados. As responsabilidades individuais ainda dependem do andamento das investigações e das decisões judiciais.

INVESTIGAÇÃO SEGUE EM ANDAMENTO

O Gaeco informou que as diligências desta sexta-feira também alcançaram endereços na capital paulista, além de locais em Bauru. As autoridades continuam analisando os elementos reunidos para esclarecer a participação de possíveis envolvidos e verificar a ocorrência de outros crimes.

Os investigados têm direito à presunção de inocência, e as suspeitas apresentadas durante a investigação não equivalem a uma condenação definitiva.

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